O Natal é hoje

O Natal é quando o Homem quiser, ou neste caso a mulher. Por isso, eu escolhi que fosse hoje.

Antes de me embrenhar nas florestas da Tailândia, nos templos do Camboja, subir a costa do Vietname e encantar-me com o Laos, fui fazer um passeio familiar pela serra mais alta do Algarve: Monchique.

Rumamos de Albufeira a Monchique por volta das 11h30, sem lugar definido para almoçar, pois o restaurante onde queríamos ir já não aceitou reserva.

Nesta pequena vila, a mais alta do Algarve, existem vários restaurantes muito bons, com os verdadeiros pratos típicos portugueses e petiscos serranos, por isso, pensamos que não seria difícil encontrar um outro à altura.

Restaurante Restaurante E assim foi, ao aproximarmo-nos das Caldas de Monchique ficamos mais atentos aos restaurantes e escolhemos parar no “O Maximino”.

Aposta ganha, porque apesar de ser 12:30 muitas mesas já estavam cheias e outras reservadas. O espaço é simples, mas muito agradável, com mesas e bancos corridos de madeira. Tem uma esplanada grande e um parque de estacionamento amplo.

A ementa é à base de carne de porco e caça, têm pratos do dia e várias especialidades por encomenda. Ninguém fica indiferente aos presuntos pendurados, que são cortados na hora e servidos como entradas.

Têm alguns pratos de peixe, principalmente bacalhau e ensopado de enguias que a esta hora já não havia.

Os vegetarianos, por estas bandas, só se safam com umas omeletes.

Cozido à Portuguesa

Cozido à Portuguesa

Apesar de ser almoço de Natal, não comi bacalhau. Pela primeira vez escolhi “cozido à portuguesa”. Normalmente pico as couves e os enchidos, mas hoje apeteceu-me este prato tipicamente português. As doses foram muito bem servidas, tinham bastantes couves, os enchidos e as carnes eram variados e muito saborosos.

Como não é um prato que costumo comer não tenho termo de comparação, mas segundo os especialistas: “este foi um verdadeiro cozido”.

Tal como numa refeição de Natal, fiquei cheia, mas ainda com espaço para uma gigante e deliciosa torta de claras, que foi umas das melhores que já comi.

Depois deste almoço, o que apetecia fazer? Desmoer.

Logo fizemos o contrário, sentamo-nos no carro e subimos até à Foia, ponto mais alto do Algarve, com 902m de altitude.

Pastor António

Pastor António

Foi aí que conheci o pastor António, que nem gosta muito do que faz. Mas a vida obriga-o a subir até à Foia, pelo menos uma ou duas vezes por mês, para pastar as vacas nestas terras de rochas xistosas e graníticas.

Como a neblina marítima não deixava avistar o oceano Atlântico, e contemplar as fantásticas praias e cidades costeiras do meu Algarve, resolvi entrar, naquele que um dia será o Centro Interpretativo da Foia, e onde decorre uma mostra de produtos regionais feitos por artistas e artesãos de Monchique. Esta mostra é promovida pela associação N´ArteCicus, recentemente formada.

N´ArteCicus

 

Os produtos expostos vão desde as rendas e bordados, artigos vários de cortiça, licores e doces, cerâmicas, bijuteria, produtos de couro, velas, entre outros. Umas belas sugestões de prendas de Natal, contribuindo para o desenvolvimento deste interior tantas vezes esquecido.


De forma a manter a tradição, recebi novas decorações para a minha árvore de natal viajante. Prometi que a montava antes de ir de viagem, como garantia que voltava para a desmontar. Vai ser tudo feito um pouco fora de horas: árvore montada em novembro, desmontada a meio de janeiro. Mas isso não é problema, pois o Natal é quando uma mulher quiser.

De volta a Albufeira, ainda conseguimos apanhar os últimos raios de sol numa esplanada junto ao mar. A infusão quente de frutos do bosque cortou a leve brisa que se fez sentir depois do sol desaparecer.

Este dia de Natal foi diferente. Não foi preciso preparar o bacalhau com broa que tanto gosto. Não comi marisco, nem as lulas cheias da minha avó Emília. Não provei a deliciosa e já famosa tarte de natas da minha mãe. Não passeio o dia em correrias para entregar prendas de última hora. Não lanchei com amigas. Não fui buscar o bolo Rei à pastelaria do pai da Luciana. Não me sentei no sofá da sala, quente pela lareira, a enviar mensagens de Feliz Natal para os amigos mais chegados.

Mas tive um dia de Natal de passeio, junto daqueles que são mais importantes. Porque o Natal é quando uma mulher quiser.

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